sábado, 12 de julho de 2014


O slide abaixo aborda a prática docente crítica e construtiva. Por que crítica? Por que fazer da prática docente construtiva?


Por uma prática docente crítica e construtiva - Cipriano Carlos Luckesi


Síntese do texto: “Por uma prática docente crítica e construtiva”.

Cipriano Carlos Luckesi

A prática docente tem que ser crítica no sentido de desenvolver sua prática nas determinações sociais. E tem que ser construtiva na medida em que usem os princípios científicos para a aprendizagem do aluno. Aqui será abordada a temática da prática docente, o trabalho cotidiano do professor. Se cada professor tiver grande empenho nas suas atividades, podemos afirmar que o melhoramento dos alunos será bem maior.
A educação do ponto de vista tanto do governo, quanto dos professores é fazer com que os alunos possam se desenvolver individual e coletivamente. Mas muitas vezes o que acontece é que os próprios educadores não tem comprometimento com esse trabalho escolar. Dificultando ainda mais os problemas dos alunos, que enfrentam muitas vezes a repetência, a evasão escolar e o analfabetismo.
De um modo geral, além desses problemas ainda existe o fato de vários alunos ou a grande maioria pertencer às camadas mais baixas da sociedade. Isso não vem de hoje. Na história da humanidade é comum vermos as classes altas sendo privilegiadas no ensino, enquanto que as classes mais baixas sendo excluídas dos estudos.
Podemos citar o exemplo de Esparta e Atenas, na Grécia. Onde na primeira cidade, os militares tinham prioridade na educação, assim como na segunda cidade, os cidadãos atenienses e romanos tinham privilégios na educação. No Brasil, houve uma diferenciação na educação, onde pobres estudavam em Liceus e Ofícios; enquanto a classe dominante predominava nas primeiras universidades do país.
Não podemos somente colocar a culpa na classe docente por erros educacionais. É preciso saber que todo o sistema participa ativamente da educação. O trabalho do professor quando é feito com propósito de desenvolver o aluno, faz grande diferença, porque faz com que o aluno possa permanecer em sala de aula devido a ter um professor que age diferente, ou que faz a diferença.
O desenvolvimento do educando envolve o desenvolvimento do ser humano, como por exemplo, a cognição, afetividade, psicomotricidade e o modo de viver. Além das capacidades de analisar, compreender, sintetizar, julgar, etc. A educação é o meio pelo qual a sociedade se reproduz e se renova cultural e espiritualmente, com consequências materiais.
Os conhecimentos adquiridos, que servem como um dos elementos de desenvolvimento do educando trazem em si também a metodologia e a visão de mundo com as quais foram elaboradas. Por exemplo, o conhecimento da adição em Matemática, traz dentro de si a metodologia da adição. São elementos separáveis didaticamente, mas de um modo geral inseparáveis.
É muito importante que as habilidades se transformem em hábitos, no sentido de que os hábitos são automatismos que se desenvolvem pelo exercício de um modo qualquer de agir. São necessários no desenvolvimento humano. Na Matemática, os hábitos adquiridos na aprendizagem das operações básicas, fazem com que os raciocínios se desenvolvam com complexidade.
Os conteúdos socioculturais são de grande importância para a formação das convicções sociais e para o desenvolvimento das capacidades do educando. A cultura existente é necessária para o desenvolvimento das novas gerações. A assimilação dessa cultura serve de base para o desenvolvimento das capacidades cognoscitivas de cada sujeito social.
Há duas formas de aprendizagem: a espontânea e a intencional. A aprendizagem espontânea acontece nas situações do nosso cotidiano; por exemplo, as relações com os colegas, os modos de falar, os modos de se vestir, etc. Essa aprendizagem é significativa, mas ineficiente quando se fala em assimilar os conteúdos socioculturais.
Já a aprendizagem intencional, como o próprio nome diz, é a busca intencional do conhecimento. Os alunos ao frequentarem a escola estão buscando o conhecimento intencional. O professor propõe conteúdos socioculturais que estimulam a assimilação ativa dos conhecimentos por parte do educando assim também como o desenvolvimento cognoscitivo.
A aprendizagem reflexa seria a fixação de resumos, de conhecimentos na memória do educando. Diferente da aprendizagem ativa. A aprendizagem ativa é aquela construída pelo educando a partir da assimilação ativa dos conteúdos socioculturais. O aluno se desenvolve à medida que torna propriamente suas as experiências vividas. É preciso que o conhecimento possibilite a iluminação da realidade.
A arte de ensinar é a de criar condições para que o aluno entenda aquilo que se está querendo que ele aprenda. E para que essa aprendizagem seja feita de forma efetiva, é preciso que os conteúdos aprendidos pelo aluno sejam compreendidos e internalizados, só dessa forma é possível ter um melhor desenvolvimento nos estudos.
O ensino sistemático é um modo de propor aos alunos conteúdos escolares que tenham conflito com o atual nível de desenvolvimento. Somente desta forma, o aluno pode avançar, pois o ensino traz ao aluno algo novo que o desafia e consequentemente faz ele progredir em seus conhecimentos escolares. O nível de dificuldade deve ser assimilável pelo estudante.
Piaget fala da aprendizagem e dos processos de assimilação e acomodação. A assimilação se dá entre o suporte cultural e cognitivo do educando e os elementos do conteúdo novo de aprendizagem. A acomodação é a aquisição nova por parte do educando. Só é possível aprender na medida em que já se tenha os mecanismos de assimilação do novo que vai ser ensinado.
            Segundo o autor o processo de ensino/aprendizagem apresentam quatro elementos principais a serem levados em consideração: assimilação receptiva de conhecimentos e metodologias; exercitação de conhecimentos, metodologias e visões de mundo; aplicação de conhecimentos e metodologias; inventividade. A prática do ensino/aprendizagem não terá de seguir essa ordem.
            São mostrados, pelo autor, quatro objetivos fundamentais na aprendizagem, a saber, 1 – assimilar receptivamente conhecimentos e metodologias como conteúdos socioculturais; 2 – apropriar-se dinâmica e independentemente desses conhecimentos e metodologias, por meio da exercitação; 3 – transferir inteligentemente esses conhecimentos e metodologias para situações-problemas diversas daquelas com as quais os conhecimentos e metodologias foram produzidos e transmitidos; 4 – produzir novas e criativas visões e interpretações da realidade.
            Assim, o educador deverá exercitar suas atividades. Portando deverá planejar, executar e avaliar tendo em vista construir os resultados que espera obter, que é, no caso, o desenvolvimento do educando.

LUCKESI, Cipriano Carlos. Por uma prática docente crítica e construtiva. In: LUCKESI, Cipriano Carlos. Avaliação da aprendizagem escolar: estudos e proposições. 22. Ed. São Paulo: Cortez, 2011, p. 139-169


Síntese desenvolvida por Cosmo Matias Gomes para a disciplina de avaliação da aprendizagem.

Avaliação educacional escolar: para além do autoritarismo


O slide abaixo aborda a avaliação escolar com foco no autoritarismo.

quarta-feira, 2 de julho de 2014

Avaliação Educacional Escolar: para além do autoritarismo



Síntese do texto: “Avaliação Educacional Escolar: para além do autoritarismo”.
Carlos Cipriano Luckesi

Luckesi em seu texto explana a questão do autoritarismo no contexto da avaliação escolar. Ele busca mostrar o desenvolvimento e avanço dos limites autoritários em relação a avaliação escolar. É apresentado durante o texto que a avaliação educacional e a de aprendizagem são meios que não possuem os fins em si mesmas, pois elas estão limitadas pelas práticas e teorias que as correspondem, voltadas para uma pedagogia que atende a uma concepção de sociedade.
No autoritarismo a prática da avaliação se manifesta de forma autoritária, estando inserida dentro de um modelo teórico de conservação e reprodução exata da sociedade. Sendo assim o Luckesi pretende acabar com esses entendimentos autoritários e rígidos e, dessa forma, propõe um desmembramento, no contexto pedagógico, ou seja, a avaliação é entendida como um mecanismo de transformação social. 

Contextos pedagógicos para a prática da avaliação educacional

A avaliação da aprendizagem escolar no Brasil segue um modelo tradicional conservador, pois herda características de uma burguesia revolucionária que durante o período da Revolução Francesa onde essa produziu três tipos de pedagogias diferentes: tradicional (centrada na transmissão de conteúdo, tendo o professor como figura central e única de conhecimento); renovada ou escolanovista (valoriza os sentimentos e as palavras de cada aluno na produção do conhecimento); tecnicista (tem como base o uso dos meios técnicos levando-se em conta o rendimento do aluno). Todas essas formas são sustentadas pela tradição, que visa uma equalização social. Mas, não teve o efeito desejado já que este modelo social não o permitia. Era preciso, para tanto, um outro modelo social. Assim, foi surgindo uma nova pedagogia e uma nova maneira de pensar o aprendizado escolar.
Assim, surgiu a pedagogia libertadora que possui como foco nos estudos de Paulo Freire pela emancipação das classes populares através da conscientização cultural e política fora dos muros da escola; libertária, representada pelos anti-autoritários e autogestionários, lutando pela conscientização e organização política dos alunos;  e a pedagogia dos conteúdos socioculturais (estudada pelo grupo do professor Dermeval Saviani, centrada na transmissão e apreensão dos conteúdos no contexto de uma prática social).
Enquanto de um lado estariam as pedagogias de domesticação, de conservação e reprodução de conceitos, o outro lado estaria preocupado com a humanização, com a reflexão e emancipação do sujeito. O primeiro grupo de pedagogias está preocupado com a reprodução e conservação da sociedade e, o segundo, voltado para as perspectivas e possibilidades de transformação social. Cada grupo reflete em sua avaliação os seus princípios. A do modelo liberal conservador será autoritária, rígida, ao contrário da avaliação das outras pedagogias que estão centradas na transformação e autonomia do aluno. Assim, a avaliação se tornará um mecanismo de diagnóstico e não como uma situação de condição disciplinadora. 

A atual prática da avaliação educacional escolar: manifestação do autoritarismo

Segundo Luckesi, a avaliação é um julgamento de valor que tem como objetivo medir qualitativamente uma dada situação da realidade de ensino. Se considerarmos a prática autoritária, a avaliação é um componente de decisão somente relacionado ao professor sendo assim apenas classificatória, generalista. Desse modo a avaliação se torna um instrumento estático, impedindo o processo de crescimento. Seguindo a função diagnóstica, proposta pelas novas pedagogias, têm-se um processo de constante desenvolvimento para a autonomia do aluno tornando-o consciente de seu aprendizado.
Assim para extinguir o autoritarismo é preciso mudar a forma como é vista a avaliação nos dias atuais através da mudança da prática avaliativa em um instrumento diagnóstico para o crescimento dos educandos. A avaliação deverá analisar a aprendizagem real do aluno observando todo o processo de aprendizagem do conhecimento, garantindo seu crescimento para a autonomia, garantindo a democracia, uma prática de uma nova reflexão de seu consciente, de um novo modo de se pensar a realidade educacional.


LUCKESI, Cipriano Carlos. Avaliação Educacional Escolar: para além do autoritarismo. In: LUCKESI, Cipriano Carlos. Avaliação da aprendizagem escolar: estudos e proposições.22.Ed. São Paulo: Cortez, 2011, p.61-65.

Você professor, usa da "autoridade" ou do "autoritarismo" nas suas avaliações?

Esse video da professora Ivanilde Moreira explana de forma objetiva essa diferença. Será que você é autoritário ou autoritarista nas suas avaliações? Por favor assista e reflita.


Quer entender mais sobre autoritarismo na avaliação da aprendizagem confira esse post: http://avaliacaoemevidencia.blogspot.com.br/2014/07/sintese-do-texto-avaliacaoeducacional.html